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UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Extra - 1

Extra 1
(Número de palavras: 777)



Tinha que ser ali. O endereço que ele me dera por telefone dava exatamente onde estávamos parados. Era uma casa simples de apenas um andar e com um adorável jardim dianteiro. Por quanto tempo ela ficava ali regando, cortando e decorando? Estava lindo demais. A pequena fonte feita de pedras e o bambu que oscilava derramando a água, golpeando as pedras e inundando o silêncio com esse ar de natureza que tanto faltava na cidade. As flores, plenamente abertas e brilhantes, balançavam com a brisa ou por causa de algum beija-flor que se aproximava em alta velocidade com seu corpo verde cintilante. Sem falar dos arbustos, eram perfeitamente redondos e bordeavam o pequeno caminho de pedras e madeira, que fazendo uma pequena onda chegava até a porta.

A porta que precisávamos bater, a porta que deslizaria deixando-me vê-la, provocando um golpe mortífero em meu coração. As lágrimas não tardariam em surgir, tanto de minha parte como da dela. Eu imploraria por seu perdão de joelhos e segurando o tecido de sua roupa, desesperado por escutá-la sussurrar um “está tudo bem”, “tudo bem, não foi nada”.
Tao apertou minha mão e eu o encarei deixando-o ver meu estado de nervosismo. Estava mordendo os lábios pelos últimos quinze minutos, enquanto tentávamos achar o endereço. Ele simplesmente havia me seguido sem fazer nenhum comentário, olhando ao seu redor fascinado pelo quão diferente era de sua cidade. Só quando suspirei e movi as pernas bruscamente ele abriu a boca e tentou me acalmar.

- É sua mãe, o quão difícil pode ser?

Pode ser muito difícil. Muito, MUITO difícil.

Respirei fundo, e se ela jogasse um sapato na minha cabeça? E se não me reconhecesse? E se estivesse irritada a ponto de não querer me aceitar mais como seu filho? Uma imagem pior se formou em minha mente. E se não aceitasse Tao? Ela poderia não gostar dele, poderia lhe causar uma má impressão, poderia não considerá-lo digno de seu Yifanzinho querido do coração...

- Não entre em pânico.

Mas era muito difícil manter a calma nesse momento. Tanto tempo sem nos falar, sem poder dizer o quanto sentia a falta dela, quanto a amava. De repente tive a inteligente ideia de sair correndo e me esconder debaixo de uma pedra por séculos e séculos, mas não havia pedra que pudesse me tapar sem me esmagar ao mesmo tempo. Tao pareceu ler meus pensamentos, pois deu um passo adiante, a ponto de pisar no caminhozinho.

- Espera! – o que estava fazendo? – Pelo menos me deixe contar até três.

Respirei fundo. Um dezesseis avos, dois dezesseis avos.

- Três – disse indiferente. Deus.

Ele bateu na porta e eu cruzei o caminho a passos largos, alcançando-o na altura do umbral. Me concentrei em não sorrir como se nada tivesse acontecido, mas tampouco podia chorar come se Tao, os garotos e meu celular tivessem morrido ao mesmo tempo. Ninguém atendia, comecei a ficar ansioso. Havíamos errado a casa, tinha certeza, um velho com um óculos enorme nos atenderia, ou um monge, ou uma menina de onze anos sozinha porque os pais foram ao supermercado. Eu deveria ter anotado o endereço errado e quem sabe a casa não fosse em Beijing, ou então, no Egito...

Escutei o deslizar da porta e senti meu coração parar. Me dei conta de que estava encurvado atrás de Tao, de costas pra ele e tapando os ouvidos. E então, pude senti-la, sua voz, sua voz delicada e temerosa por se encontrar com alguém como Tao. Sua hesitação enquanto botava apenas a cabeça pra fora de casa.

- Senhora Wu? – Tao perguntou, o puxei pelo cotovelo. Como podia perguntar isso assim, dessa forma, sem nem ao menos se apresentar primeiro?

- S... Sim.

Pude escutar Tao rindo enquanto chegava para o lado, ao mesmo tempo em que eu me virava corado e buscando seus olhos. Seus olhos compreensivos, que se abriram o máximo que puderam e começaram a chorar. Quando a vi correndo em minha direção soube que estava tudo bem, que estava perdoado mesmo que não merecesse isso; que estava feliz por me ver apesar da dor que a causei durante tantos anos.

Beijei sua bochecha com força e a levantei do chão.

Ela sem rodeios nos convidou para entrar e tomar um chá.

Nem começamos a falar direito e ela olhou para Tao interessada e ele se apresentou com uma pronunciada reverência. Lendo o vermelho em minhas bochechas e minha expressão abobada, não tardou em entender. Não apresentou objeções. “Você é muito fofo, Tao querido” sussurrou enquanto sorvia o chá de sua taça “Parabéns Yifan, tem um bom gosto”.

Minha mãe era a melhor mãe do mundo.



Extra 2



Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
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