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UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Capítulo 15

Capítulo 15
(Número de palavras: 1.594)




- Vem comigo – sussurrei.

Minha visão ainda estava turva, as manchas continuavam ali. Alguns gritavam, outros choravam e mais de um xingava, ninguém pareceu me escutar... Fora Tao, que pareceu finalmente poder respirar, inflando o peito.

- Vamos juntos. – repeti, olhos fixos na mesa.

Observando-o pelo canto dos olhos, notei como se virava em minha direção lenta e tortuosamente. Sim, ele havia me escutado, estava surpreendido, sua respiração foi aumentando o ritmo suavemente, era quase imperceptível, talvez só eu tivesse notado. O que sentia por ele gerava uma espécie de conexão, uma devoção que quase podia ver através de seus olhos. Sua mão baixou da cabeça de Baekhyun, separou os lábios, mas não disse nada. De repente começaram a me sacudir violentamente.

- Estou falando contigo caralho!! – Chanyeol gritou pra mim. – Preste atenção!!

- Chanyeol calma!! – Kyungsoo segurou os braços dele, mas não adiantou de nada.

Minhas articulações se moveram sozinhas, segurei Chanyeol pelos pulsos e umedeci os lábios escolhendo as palavras com cautela, me assegurando de adicionar a carga emocional que eu precisava expressar para que eles me entendessem.

- Meus pais estão divorciados. – comecei. – Odeio meu pai. Ele sempre arranja um jeito de me afastar de minha mãe... Na noite que fui embora, nem sequer pude me despedir, pois ele veio me buscar de madrugada e me obrigou a deixar apenas uma nota. – senti suas mãos relaxando. – Eu não posso, não tem como... – ai que ótimo, já estava amolecendo. – Você não entenderia. NINGUÉM ENTENDE o quão envergonhado e humilhado me sinto... Cada dia em que estive aqui imaginava ela despertando preocupada por não me encontrar e depois chorando, segurando aquele papel imundo, sentada na cozinha... Você tem noção de como é? Alguma vez tentou se colocar em meu lugar? Pense Yeol, se você tivesse a oportunidade de voltar... Voltar pra ela e pra sempre...

Silêncio, ninguém me questionou. Havia conseguido as custas de destruí-los por dentro. Sim, mas eu estava cansado de ficar agradando todo mundo. Queria que minha opinião, meus desejos, contassem pelo menos uma vez.

- Então você vai embora? – sussurrou Chanyeol, e riu enojado. – Vai, como um covarde.

- Covarde?! – afastei suas mãos de minha camisa. – Covarde é você por não admitir que é lunático!

“Garotos, parem” Kyungsoo balbuciava, tentando nos afastar. Yeol o empurrou e ele caiu de costas, fazendo Jongin perder a cabeça.

- Seu gorila, não desconte nele. Ele não tem culpa de nada! – gritou, empurrando-o em direção as cadeiras.

- Chanyeol!! – Baekhyun correu até ele e o abraçou, o mais alto o afastou e começou a xingar, tentando bater em Jongin.

Kyungsoo gritava junto com Baekhyun, os dois pendurados nas costas de seus garotos, que trocavam chutes e socos com o que vissem pela frente. Eu mordia um dedo tentando conter a vontade de pegar uma cadeira e quebrar na cabeça dos dois.

- BASTA!!!

Todos pararam, Tao havia falado.

- Queiram ou não, Yifan vai embora. Vai voltar pra mãe dele. Ok?! Ou por acaso ninguém se preocupa com seus sentimentos, sua felicidade? – encarou a confusão que se instalara ao seu lado. – Esta não é a casa de vocês, parem de se bater!! Mostrem respeito! – se virou em minha direção e seu rosto mostrou uma corrente emocional inconstante. – Sobre o que você disse...

- O que ele disse?

- O que?

- Eh?

Abaixei para pegar a passagem no chão e peguei também o bolo de dinheiro, levantei a cabeça observando o relógio e torci a boca, faltavam quarenta minutos.

- Tao... Acha que isso dá pra outra passagem?







Antes de irmos embora, verificamos o envelope aberto, que surpreendentemente possuía uma carta escrita à mão por meu pai. “Diga que você é meu filho, não precisará de passaporte nem merda nenhuma”, dizia “Eu me encarregarei da casa, vá mesmo se não tiver bagagem. O importante é que não continue na Coréia”. Adorável meu pai.

- Não posso acreditar que você está indo. – Chanyeol bufou, envolvendo Baekhyun com seus braços. – Agradeça por eu ter as mãos ocupadas. – as tinham entrelaçadas com as do nanico. – Senão eu te arrebentaria.

Baek levantou a cabeça e o contestou.

- Deveria tratá-lo bem. Não vão se ver por um bom tempo.

- Calado. – disse corado. – Deixa isso pra mim...

E abaixou a cabeça, não podiam simplesmente não se beijar em público? Pelo amor de Deus. O pirralho não tardou em estalar.
- DO KYUNGSOO, ME BEJA AGORA OU FAÇA AMOR COMIGO NO BANHEIRO!!

- J-J-J-Jongin!!

- AGORA! – bradou, tinha fome de Kyungsoo.

- Linda forma de nos despedir. – disse, arqueando as sobrancelhas.

Um braço passou por debaixo do meu e Tao apoiou sua cabeça em meu ombro.

- Mesmo assim vou sentir falta deles.

- É claro. – tossi, chamando a atenção deles. – Não sei se perceberam, mas já estamos indo.

Resmungaram. Não queriam acreditar, estavam adiando o momento. Mas Tao e eu tínhamos planos, queríamos começar juntos do zero, em nosso país natal. Coréia do Sul havia sido emocionalmente dura com a gente, tanto para o bem quanto para o mal.

- É sério Hyung? Entendo o que você disse, mas mesmo assim...

- Yeol. – interrompi. – Às vezes as coisas não saem como queremos.

Franziu o cenho, apertando a mão de Baekhyun.

- Tem certeza? – “funcionou com ele”, foi isso que quis dizer.

- Pensei que você ficaria aqui pra sempre. – sussurrou Kyungsoo corado. – E pensar que... Aigoo. – suspirou e secou os olhos – Perdão, só um minuto.

E saiu em direção ao banheiro. Lembrei que ainda não podia ir embora, devia uma conversa séria com ele e um enorme pedido de desculpa. Pedi a Tao que mantivesse Kai distraído e segui Kyungsoo até alcançá-lo.

- Ei. – o peguei pelo pulso. – Tudo bem, é normal chorar.

Ele deu a volta, corado e soluçando. Não pude fazer nada além de abraçá-lo, sentindo seu corpo pequeno perder-se em meu peito.
- Sempre disse a mim mesmo. – confessei. – Que deveria ter me apaixonado por você, que deveria ter aproveitado antes que Jongin aparecesse, mas... Sinto muito, me dei conta de que não podia. Nunca pude.

- Eu sei. – sorriu. – Você mesmo me mostrou.

Ugh, foi como uma punhalada no estômago.

- Então você se lembra?

- Chorei a noite toda. – riu. – Você me deixou quebrado Hyung, me senti patético.

- Eu sinto tanto. – afundei meu rosto em seu cabelo. – Não sei como você conseguiu continuar falando comigo.

- Porque eu te amo, simples assim.

- Mais que Jongin?

Os segundos passaram.

- Não. Sinto muito.

Sorri, ele merecia mais do que o céu.

- Espero que possa superar o que eu fiz. – gemi humilhado.

Acariciou minha cabeça.

- Yifan?

- Uhm.
- Eu gosto de você.

- Eu também. – era melhor deixar as coisas claras antes de ir.

- Mais que o Tao? – brincou?

Eu quis rir, juro que tentei, mas saiu um grunhido rouco.

- Não. Sinto muito.







Realmente o passaporte não foi necessário, deixaram Tao subir sem nenhum. Vai saber o que meu pai tinha feito, tampouco me importava. Os assentos eram macios e confortáveis, ninguém se sentara atrás de nós, então pudemos nos acomodar, ficando tecnicamente deitados, compartilhando o apoio de braço. Depois de decolar e tendo o céu como paisagem, olhei a minha direita. Ele estava nervoso, se remexia constantemente e suspirava perdido em seu mundo.

- É grande demais para o assento? – sorri.

Ele me devolveu o olhar mordendo os lábios.

- Tem certeza disso?

- Sobre visitar minha mãe, sim. Ficarei com ela até que se canse de mim, depois de tudo, não fui um bom filho abandonando-a essa noite.

- E eu?

Busquei sua mão, poucas pessoas tinham os dedos tão longos como os meus.

- Não me diga que está arrependido, por favor, não.

- Não é isso. É que... – voltou a morder os lábios. – Ela vai querer saber... Você sabe, me conhecer. O que quero fazer... O que fazia.

- Está falando da página no site?

Assentiu temeroso.

- Tao, você não é obrigado a responder todas as perguntas. E mais, faremos o seguinte, me sentarei junto com você, ok? Quando não quiser contar algo, aperte minha mão ou coxa, e eu mudo o assunto. O que acha?

- Mas ela vai perceber.

- Mas não insistirá.

- E se depois ela te perguntar quando estiverem sozinhos?

- A abraçarei e direi que a amo e que senti falta dela. Sempre funciona.

Ele pestanejou pensando na resposta. Terminou dando de ombros. Nós estávamos nos mudando de repente, sem ter nada planejado, sem bagagem, com muito pouco dinheiro para nos virar quando chegássemos na China. Era um final assustador para nossa história, mas na realidade eu adorava as coisas feitas de improviso. Não planejar e fazer tudo espontaneamente não era o mais indicado, mas deixava lembranças maravilhosas.

Imagina daqui a alguns anos, eu e Tao, em uma cena qualquer em nossa casa, talvez, celebrando algum aniversário, rindo. “Lembra quando eu provoquei você na loja? Hahaha”, “E quando você desmaiou antes de...? Hahahaha”, “Ou quando meu pai nos interrompeu no banho e sem comentários para o escândalo que você fez naquele apartamento caindo aos pedaços”, “Mas foi ótimo”, “Com certeza”.

O que mais? Vamos ver...

Me chamo Wu Yifan, tenho vinte e três anos, nasci na China, vivi no Canadá grande parte de minha infância e adolescência, logo me mudei para a Coréia para ajudar meu pai, onde conheci meu atual namorado, Huang Zitao e... Ah, sim...

Também, todos os dias acesso a página www.unstable-enjoyment.com para ter certeza de que continua desativada. Por quê? Bem... É uma história longa demais pra contar... De novo.


Fim ;^;


Extra 1





Acabou Y.Y
Irei postar os dois extras simultaneamente na sexta.
Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
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