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UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Capítulo 14

Capítulo 14
(Número de palavras: 2.359)



Estava a minha direita, com uma mão segurava um casaco, a camisa sem mangas abraçava seu corpo, aderindo-se a ele e deixando-me ver um pouco de sua pele devido ao material fino e translúcido. Os jeans negros, ajustados e rasgados nas coxas, mostravam suas pernas torneadas. A visão me entorpecia, podia ver sua clavícula, o trapézio; quase conseguia ver os traços que definiam seus abdominais. Ele se virou e voltou a me olhar, riu secamente e encarou a casa coberta de grafite, onde o vi desaparecer da última vez.

- Espera! – gritei enquanto o seguia.

Quase fechou a porta na minha cara, mas consegui me antecipar e entrei de alguma forma. Quando acendeu as luzes me deparei com um quarto horrível, deplorável. Sofás rasgados, móveis comidos pelas traças e sem portas, caixotes, garrafas quebradas e latinhas jogadas pelo chão; vômito em um canto e manchas amareladas nas paredes. Senti um embrulho no estômago, eu devo ter ficado verde. Tao se virou em minha direção, jogou o casaco no sofá (ou que quer que seja aquilo) e estendeu os braços.

- Gostou? – perguntou enojado. – Essa é minha casa, meu lugar, é aqui que vivo desde que tenho dezesseis. Sabia que eu não podia me negar, não é? Assim como eu tomei conta até pouco tempo de um menino, Baekhyun... Eles fizeram o mesmo comigo. Até terem certeza de que a possibilidade de eu tentar escapar já não existisse, eles não me deixaram em paz. – seus olhos brilhavam, transmitiam sua dor. – Logo veio você. – apontou com raiva pra mim. - E faz o que fez, me mostra que existe algo melhor que isso, e agora terei que voltar a me esconder aqui a vida toda, até que morra de fome. Por sua culpa. Como você conseguirá voltar para China, sabendo em que condições está me deixando?

O que era isso? Eu nunca...

Está me pedindo para ficar!

Está me pedindo para não deixá-lo!

Da forma dele, sim, mas está fazendo!

- Que parte da conversa você escutou? – sussurrei.

- Ver esse maldito envelope enquanto você estava na rua foi o suficiente. – espetou – Uma passagem só de ida pra China. Você acha que eu sou estúpido? Se pretendia desaparecer era melhor ter escondido as evidências antes, idiota.

Idiota?!

- Yah! – apoiei as mãos em meus quadris. – Você acha que eu quero ir? Acha que estou feliz por ter que abandonar tudo o que tenho aqui?! Como se eu fosse gostar de me despedir assim sem mais nem menos de Kyungsoo, Chanyeol, Jongin, GaEul!

Um nó se formou em minha garganta e tossi xingando. Escutei soluços e levantei a cabeça, Tao apertava os lábios tentando segurar qualquer barulho, mas não estava conseguindo.

- E eu Gege?

Meu coração parou. Ele estava em seu estado máximo de fragilidade: braços jogados ao lado do corpo, negando levemente com a cabeça, gemendo e perdendo a estabilidade de sua respiração.

Estava o matando. O matava a cada segundo.

- Tao...

Antes que ele tivesse a oportunidade de tapar o rosto com as mãos, corri em sua direção e segurei seu rosto, aproximando-o do meu, fundindo nossas bocas em uma tentativa desesperada de acalmá-lo, de acabar com toda essa dor. Ele resistiu a princípio, mas terminou se entregando, resignado. Estava feito em desastre, em lágrimas e tremores, se escondendo em meu peito rodeado por meus braços. Quando baixei para beijar-lhe a nuca, senti seus dedos trêmulos em meu cabelo, depois acariciando a cicatriz em minha testa. Eu significava sua última esperança para ser melhor, estar melhor.

- Não me deixe...

- Nunca. – assegurei, sentindo também vontade de chorar. Como eu poderia garantir aquilo, se nem ao menos sabia quando teria que ir?

- Não quero ficar sozinho de novo.

- Você não vai ficar. – sussurrei enquanto mordia sua clavícula e o escutava gemer, puxando meus cabelos. – Eu estou aqui, pra você.

Levantei sua camisa até a cintura, deleitando-me com os tremores que o provocava a cada toque, sentindo o frio banhando sua pele.

- Me ama? – chorou.

- Mais do que imagina. – suspirei, inspecionando mais uma vez seu rosto, seu peito, cravando as unhas, beliscando suavemente. – Te quero só pra mim, até que meu coração pare. – sorri me lembrando, apesar das lágrimas que faziam meus olhos arderem.

Suspirou meu nome como se fosse um pecado arqueou as costas deixando-me explorá-lo a fundo, seus quadris, omoplatas, sua coluna, as covinhas no final das costas. Me empurrou levemente. Encarava meus olhos enquanto me empurrava pra trás. Era uma mensagem, não duvidei em segui-lo. Terminamos em um quarto com quatro camas de solteiro, mas não me importei, não era necessária uma cama grande, almofadas ou lençóis de seda, nem sequer a roupa que vestíamos. Eu só precisava dele, ele, que se sentou na cama e esticou uma mão me puxando pelo queixo, atraindo-me. Ele, que não tardou em rodear minha cintura com suas pernas. Ele, que se desfez de nossas roupas ao mesmo tempo em que rogava para que não o deixasse nunca.

Ele, que pronunciou meu nome infinitas vezes quando nos tornamos um, com o mesmo deleite que eu cantarolei seu nome quando escutei pela primeira vez naquela maldita tenda de ramen.







Não me lembro de como terminamos no chão, mas eu nem sequer sentia nojo de descansar sobre minha camisa estendida no chão sujo de terra. Eu estava com terra nos braços, nos joelhos, nas coxas, nos glúteos, nos pés, e Tao, bem... Em todo o peito e nas costas. Penso que essa foi a nossa melhor noite, porque foi tudo de improviso, em qualquer lugar e em qualquer canto. Me lembro de que, a princípio estava triste por saber que seu corpo já estava acostumado ao que fazíamos, mas sua voz adquiriu um tom completamente diferente, hipnótico. Ele não gritava, não gemia, não chorava. Ele cantarolava, sorria, suspirava e me abraçava encantado. Meu nome parecia uma droga em seus lábios, pois cada vez que brotava de suas cordas vocais e saía do fundo de sua garganta, ele estremecia e buscava minhas mãos, entrelaçando nossos dedos. Eu em troca me inclinava e o beijava no meio do estômago, causando-lhe cócegas. Em nenhum momento senti o ímpeto de domá-lo, corrompê-lo ou machucá-lo como nos vídeos, só queria que ele desfrutasse. Queria dar o que ele quisesse, da forma que quisesse, beijando-o e acariciando-o como ele quisesse.

Nunca busquei uma recompensa ou compensação, só queria me assegurar de que ele deixasse de chorar por mim, por minha culpa, por culpa de meu pai e do azar que tinha toda vez que me aproximava dele.

Observei ao meu redor, fascinado. Havia teias de aranha por todos os lados, o papel de parede estava completamente molhado e o ar estava quente, tão quente que fazia você se sentir como uma almôndega gordurosa. Precisava de um banho urgentemente. Apoiando-me sobre minhas mãos, comtemplei Tao encolhido ao meu lado, mantinha uma mão sobre meu colo, e as duas pernas sobre as minhas, sua respiração era calma e estava cheio de manchas e terra no queixo, nas bochechas, por todo o torso, nos braços e sem falar da cintura pra baixo.

Na nossa primeira vez não conseguimos terminar, estávamos desesperados por nos soltar. A segunda vez foi aquela que não conseguimos concretizar devido a súbita tontura que tive, que repentinamente havia desaparecido, junto com minha impossibilidade de falar.

De qualquer forma, não poderei continuar frequentando a fonoaudióloga e a traumatologia.

Acariciei seus cabelos tirando a poeira. Acariciei seu rosto para limpá-lo, ele instintivamente suspirou e sorriu. Cada gesto, cada expressão que seu rosto adotava... Queria conhecer tudo, recorrer, amar, gravar em minha memória. Deixei que o dorso de minha mão o acariciasse da cabeça à cintura, quando seu corpo se mexeu pelas cócegas, ri e não pude evitar beliscá-lo de brincadeira. Ele continuou se mexendo até pouco a pouco despertar.

- Mhmm... Gege... Dói. – ria cansado. – Gege, Gege!

Ele se levantou e golpeou suavemente meu peito, o peguei pelos braços e o aproximei de mim, sentando-o sobre minhas pernas. Automaticamente me lembrei da noite anterior e senti vontade de repeti-la. Tao acariciou meu cabelo, brincando com a cicatriz do tiro. Não desprendeu os olhos dos meus e respirou calmamente, rosto sério e peito colado ao meu.

- Sinto muito por não ser como você esperava. – sussurrou. – Sei que queria que fosse em um... Um quarto melhor... Ou que eu fosse virgem, não sei.

Corei no mesmo instante, não era necessário que ele dissesse essas coisas. Amaldiçoei minha transparência, era assim tão fácil de ler?

- Mas pense assim. – sorriu apoiando seus braços em meus trapézios. – Você é meu primeiro namorado.

Wow.

Wow, wow, wow, wow, wow.


Fiquei estático, imóvel. Ele havia dito essa palavra com todas as letras. Disse querendo, não em um lapso. Queria ser meu namorado! Queria que esquecêssemos toda essa merda que acontecia ao nosso redor e fossemos um casal! Senti uma agitação no peito, um calor repentino, divertido. Era fantástico, parecia maravilhoso... Meu primeiro namorado; eu, seu primeiro namorado... Nossa primeira relação.

- Namorados?! – perguntei quase sem dar créditos a meus ouvidos.

- O que? Não somos? Eu pensei... – ele começou a ficar triste, tentando me soltar. Rapidamente o parei e voltei a abraçá-lo.

- Seremos, somos! É que, é que...

- Se você não quiser pode falar. Vou entender. – resmungou.

-... Pensei que você só fosse querer isso. Pensei que fosse demorar muito pra te convencer.

Ele pestanejou ternamente, surpreendido. Logo começou a rir.

- Você parece tão bruto, mas na verdade é sensível. Aigoo... – e continuou a rir.

Quando ele terminou, juntamos nossas testas, sorrindo.

- É uma pena que você vá embora. – suspirou. – Prometo não dormir com nenhum outro... E se eu precisar te sentir, usarei minhas próprias mãos. – riu.

Iiiiiiiiiii aí fudeu. Já sei, já sei que ele queria soar adorável, romântico. Mas lembrem que eu estava me aguentando desde os dezenove anos! Grunhi encantado e comecei a devorá-lo outra vez, mordendo-o, lambendo-o, chupando aqui e ali. Sentado sobre mim, ele não demorou em se acomodar, em ME “acomodar”, e começamos de novo. Nunca nos cansaríamos... Acabáramos de nos tornar namorados.







- ONDE DIABOS VOCÊS ESTAVAM? VOCÊ DESLIGOU SEU CELULAR SEU PUTO DE MERDA!!

- KYUNGSOO ENTROU EM MODO “HISTÉRICA” E COMEÇOU A CORRER DE UM LADO PARA O OUTRO, QUASE O FIZERAM CHORAR!!!

Chanyeol e Kai haviam passado a noite dormindo na entrada, mas nos viram de longe e começaram a se aproximar agitando os braços e chutando o ar. Gritavam, nos insultavam e nos empurravam. Pareciam vulcões em plena erupção de tanto que gritavam, cuspiam saliva em nossas caras pateticamente sorridentes. As veias em seus pescoços pareciam a ponto de explodir e tudo o que nós fazíamos era rir.

- YAHHHHHH!!!!

- O QUE É TÃO ENGRAÇADO??!!

Abrindo a porta sem soltar a mão de Tao, nos dirigimos a cozinha onde encontrei o envelope aberto e a passagem aparecendo entre o papel branco. O bolo de dinheiro continuava ali, causando nojo e vergonha de mim mesmo. Eu nunca contaria para Tao, não conseguia imaginar sua expressão se revelasse que o dinheiro que usamos para... Era meu. Resultado da minha perversão, da minha obsessão por ele.

- Sinto muito por ter aberto sem sua autorização, é que ele estava me dando um mal pressentimento.

Acariciei com os dedos a mão que segurava. Tinha medo de soltar e deixar de sentir seu calor, eu precisava dele, dependia dele mais do que imaginava, ainda mais depois dessa última noite, depois de descobrir o quanto ele se sentia sozinho somente por se imaginar longe de mim. Eu queria demonstrar o contrário, apesar de estar na corda bamba por culpa de meu pai e dessa maldita passagem de avião.

Escutamos Kyungsoo e Baekhyun chegando, os garotos provavelmente haviam avisado nossa chegada. Respirando agitadamente gritaram nossos nomes, preocupados, correndo até a cozinha. Soo me cercou em seus braços como uma mãe que reencontra o filho perdido. Para minha surpresa, Baekhyun correu até Tao que o recebeu com um abraço e batidinhas na cabeça, consolando-o.
- O que é isso? – Yeol já sabia o que era, mas se recusava a acreditar.

Quatro pares de olhos se fixaram no envelope aberto. O pirralho rompeu o silêncio, eufórico.

- Você vai embora?! – gritou Kai. – Mas que merda, sem avisar! Logo quando estava começando a ir com a sua cara!

- Não foi ideia minha, meu pai está me obrigando. Eu nem sei quando vou.

Yeol pegou a passagem e leu os dados. Enquanto seus olhos buscavam, números, datas, aeroportos, seu corpo foi encolhendo, estremecendo a cada item que lia. Deixou a parte colorida da embalagem cair de suas mãos e apertou os dentes, deixando um chute escapar em um sofá próximo, deixando todos nós espantados.

- Você não vai, eu não permito. – bufou, bagunçando os cabelos.

- Yeol, eu disse que não...

- O VÔO É PRA DAQUI A DUAS HORAS! DUAS PUTAS HORAS!

E o caos se instalou.

- Duas horas?!

- Não pode ser!

- Yifan faça algo!

- O que te impede de ficar?

- E nós, como ficamos?

As vozes entraram por meus ouvidos e ficaram pairando por minha mente, sem me deixar realmente raciocinar. Escutava um barulho constante ao meu redor, manchas se moviam de um lado para outro. Quando comecei a diferenciar os tons, os choros e os xingamentos, não encontrei Tao. Ele não falava, não dizia nada, eu nem sequer escutava sua respiração. Foquei a vista, virando em sua direção. Estava imóvel com uma mão na cabeça de Baekhyun e outra rodeando sua cintura, abraçado a ele. Seus olhos mórbidos fixados na passagem que descansava no chão; alheio a todo movimento que acontecia a nossa volta.

Senti minha camisa úmida, Kyungsoo se afastou de mim tapando o rosto.

Chanyeol começou a me insultar com lágrimas nos olhos.

Jongin mordia os lábios e tinha os olhos vidrosos.

Baekhyun soluçava escondido sob o abraço de Tao.

E Tao? Tao nada, nem sequer piscava.

Quando quis me aproximar dele, um pensamento impulsivo me deteve.

Você vai embora em duas horas.

E ele está morrendo.

Em duas horas o deixará sozinho.

Em duas horas terminará de matá-lo.

... Faça algo a respeito.



Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
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