MascoteYeol (mascoteyeol) wrote,
MascoteYeol
mascoteyeol

UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Capítulo 13

Capítulo 13
(Número de palavras: 2.555)



Me apoiei na moldura da porta, pensava em falar com ele ali mesmo. Além disso, aquela posição tapava parte da vista para o caminho que dava até a cozinha, estando a sala e Tao a direita. Mamãe tinha razão, mesmo que eu me negasse a acreditar, ficava triste quando pensava que em alguns anos ficaria igual a ele. Sério, amargo, com o cenho franzido sempre, pele rachada, consumida pelo cigarro. Fiz um esforço para não me enojar. Era tudo o que eu não queria ser, por mais duro que soasse.

- Descubro que atiraram em meu filho e o mesmo não me deixa visitá-lo?

- Ambos sabemos que está mentindo.

- Quero ver como você está.

- Vá embora.

- Não pode me expulsar.

- Sim, posso.

- Sou seu pai. – bufou com voz esmagadora, oprimindo-me. – E eu te dei esse teto.

Não diga isso. Sabe que se eu pudesse ter escolhido...

Suspirei e mordi os lábios, esperando um sinal, uma indicação por parte de Tao. Passos ligeiros até o piso de cima. Perfeito. Bufei e cheguei para o lado, ele teve que passar quase sobre mim para entrar, roçando cotovelos e banhando-me com seu cheiro de queimado, cinzas.

- Quinze minutos. – disse sem me virar. – Preciso repousar e seu cheiro não me faz bem.

- Ah, por favor, como se você nunca tivesse fumado. – caminhou até a cozinha. – Você nunca serviu pra mentir. – subiu a voz enquanto sentava em uma cadeira. – Nisso puxou a sua mãe.

- Graças a Deus. – repliquei, alcançando-o. – De você só puxei o físico.

Ele riu. Golpe baixo?

- Como sua mãe está? – perguntou enquanto batia os dedos na mesa.

- Se você me desse dinheiro suficiente, como para pagar chamadas à distância... – apoiei-me nos cotovelos e entrelacei os dedos em frente à minha boca, era melhor estar preparado.

- Você sabe que só é uma peça, um suporte. Já te disse, não é essencial nisso.

- Então porque me trouxe e me obrigou a trabalhar nessa droga de loja?

- Porque você é o único que aceitaria tão pouco de salário e por resignação. – sorriu. – Por fora você é o doce filho que apoia seu trabalhador pai.

- E por trabalhador definimos...?

Tossiu, por seu olhar dava para ver que estava se divertindo. Sempre foi assim, ele chegava, dava golpes baixos por um lado e por outro, ninguém ganhava (talvez em sua cabeça ele sempre ganhasse e eu era apenas um pirralho mal educado), me dava uma notícia estarrecedora e depois ia embora. E eu por bem ou por mal acabava seguindo-o. Todas as vezes.

- Vamos embora. – anunciou, tirando um maço de cigarros do bolso.

Tsk.

- Não quero.

- Você volta pra China, sua mãe está te espera lá.

Espera...

Mamãe.

Mamãe na China.

Me esperando.

Ela quer me ver, e eu quero vê-la.

... Merda...

Preciso voltar.


Será que Tao estava escutando? Como Kyungsoo, Chanyeol, Jongin e GaEul reagiriam? Mas algo não encaixava.

- E você?

- Também voltarei. – meus olhos se abriram arregalados enquanto ele acendia o cigarro, e ria. – Nem pense que voltarei com vocês, visitarei seus avós e depois verei o que faço... Talvez tire umas férias.

- Com que dinheiro? A rede de lojas foi um fracasso. – baixei as mãos para conter a vontade de bater nele.

Apesar de estar com a boca ocupada, o canto de seus lábios se curvaram para cima, mostrando os dentes amarelos e cortando os lábios ressecados. Sua risada se confundia com a tosse, seus ombros se agitaram energeticamente.

- Você não faz ideia no que ando envolvido, filho. – tragou e voltou a sorrir. – Não faz a mínima ideia.

Suspirei, meu pai era um personagem que podia ser associado a um ponto de interrogação. Nunca sabia onde estava e o que fazia desde que se separou de mamãe. Talvez tivesse outra pessoa, a única coisa que sabia era que, ele quis abrir uma rede de lojas esportivas e que tinha fracassado. Quanto ao resto...

Pondo a mão dentro de seu casaco, ele retirou um envelope longo e em seguida deixou um maço de dinheiro, algo muito raro vindo da parte dele. Era enorme, o elástico mal resistia a quantidade de notas dobradas. Levantou-se e caminhou até a pia, onde deixou as cinzas do cigarro caírem.

- Preciso ir, desperdicei tempo o suficiente aqui.

Finalmente.

O levei até a porta da entrada, e o segurei quando colocou os dois pés fora de casa.

- De onde tirou esse rolo de dinheiro?

Ele riu novamente, me enojava. Me enojava com suas gengivas e dentes amarelos, sua língua podre e ressecada, seus lábios cortados e ressecados, sua pele marrom pelo tabaco e cheia de manchas brancas, sua voz áspera parecendo uma lixa, seu riso patético e debochado.

- Parte é seu, você mesmo me deu.

Quê?

Ele voltou a caminhar em direção ao carro e tive que segui-lo, apesar de que eu vestia apenas uma toalha e minha boxer molhada. Apoiando uma mão na janela do carro, me abaixei.

- Do que está falando?

Ele me encarou de rabo de olho, sem virar a cabeça. Esse jeito soberbo me deixava puto. O sorriso de novo, estava a ponto de bater nele.

- Como dizer... Lembra daquele aniversário que você passou...

A ficha caiu.

Ah, não.

Ah, não, não, não, não.


-... Sozinho? – sorriu malevolamente.

Queria enforcá-lo, matá-lo. Tudo passou na minha frente, os números, a contagem regressiva, conhecê-lo, adorá-lo, desejá-lo, a loja, o incidente na tenda de ramen, o edifício. O tiro na cabeça. Não podia ser, não podia, não o vi saindo dali.

-... Filho da puta...

Ligou o motor.

- Você foi uma fonte de rendimento segura durante anos. – gargalhou entre dentes – Quem imaginaria que você fosse tão pervertido assim?

E arrancou, desaparecendo na estrada, fazendo com que meus joelhos perdessem o suporte, deixando-me sentado no asfalto da rua, a mercê de qualquer carro que passasse por ali.

Não conseguia acreditar. Estava fervendo de raiva e vergonha.

Não pode ser verdade.

Por um momento - um breve momento - desejei despertar no hospital, confuso e sem nenhum corpo descansando sobre mim. Logo me corrigi... Desejei ter saído em busca de alguém no meu aniversário, sem me importar de ser repreendido por ficar todo sujo de barro.







- Você abriu o envelope?

- O que ele te disse?

- Você bateu nele?

- Jongin!

- Perdão...

- Ei, Fan, fala.

Chanyeol balançava as mãos na minha frente, tentando chamar minha atenção. Pestanejei e suspirei, não sentia vontade de falar. Vieram Kai, Kyungsoo e até o baixinho moreno pelo qual Chanyeol estava obcecado. O examinei dos pés a cabeça. Segundo Yeol, era mais velho do que aparentava, então dei-lhe uns vinte anos. Estava terrivelmente magro e parecia que poderia começar a chorar a qualquer momento. Emanava uma fragilidade, um medo... Havia nascido pra encaixar com Chanyeol, que lhe serviria de escudo com sua altura e prepotência.

Imaginei eles juntos, formavam um belo casal.

Imaginei meu pai negociando com o senhor Lee.

Um nó pareceu se formar na boca de meu estômago.

- Quem chamou eles? – perguntei apático, precisava ficar sozinho.

- Tao, mas ele deixou a porta aberta e não o encontramos.

Merda, merda, merda, merda. Teria escutado algo?

- Vocês fazem ideia de onde ele possa estar?

- Tal-talvez eu tenha. – disse o baixinho, levantando a mão e dando um passo a diante. – C... Conheço os lugares que ele frequentava.

Esfregou as mãos nervoso quando voltamos nossa atenção para ele. Esse garoto vivia com medo, nas poucas vezes que me olhava podia enxergar o pânico em seus olhos, mesmo que eu entendesse que eu poderia lhe dar medo. Convenhamos, meu aspecto natural somado a um recente tiro na cabeça. Chanyeol caminhou até ele, e o tomou pelo queixo obrigando-o a olhá-lo. Quem diria que Chanyeol poderia ser suave e romântico.

- Tem certeza Hyung? – perguntou, seu corpo parecia monopolizá-lo, e... Hyung?

- Mn. – Assentiu corado. – Já terminaram a investigação no apartamento, talvez ele esteja lá. – parecia mais confiante quando seus olhos encontravam os de Chanyeol.

Chanyeol meio suspirou, meio riu. Acariciou a bochecha do outro e o puxou pela mandíbula, vimos como seus rostos se aproximavam, mas o corpo de Chanyeol terminou por tapar nossa visão. Na mesma hora Jongin teve um ataque de histeria e começou a empurrar Kyungsoo suavemente.

- Por que não faz essas coisas comigo?! – o desafiava baixinho. – Eu também preciso de amor.

- M-m-m. – era cômica a forma como seu rosto ardia em vermelho. – M-mas eu não sei o que você quer!

- O que custa me beijar em público? Mas que droga, você e sua vergonha! Mereço uma recompensa essa noite. – determinou, apontando para o chão alterado.

- T... Tudo bem, só fale mais baixo.

Quis rir, mas não pude. Levantei disposto a me trocar. Seguia apenas com uma toalha, que já estava úmida (pelo menos ninguém pareceu se importar). Pedi licença e subi as escadas, encontrando-me com a cama feita, roupa para que eu colocasse em cima, e janelas abertas para airar o quarto. Como não podia descer enquanto eu falava com meu pai, ele deveria ter procurado algo para se ocupar.

Peguei as roupas e notei no mesmo instante a camisa preta de mangas, o cachecol azul e os óculos quadrados de armação negra... Sorri tristemente. Não fazia frio, mas aquilo era claramente uma mensagem, e pensar no que poderia ter acontecido seu meu pai não tivesse aparecido... Pensar no que poderíamos ter feito, como poderíamos ter terminado.

Senti duas mãos sobre meus ombros. Me virei, mas olhei alto demais, era Kyungsoo, que apertava os lábios em uma tentativa de sorriso. Seus olhos brilhavam. Apesar da vergonha que o fazia passar, Jongin alegrara bastante a vida dele. Acredito que o pirralho marcou um antes e um depois na vida de Kyungsoo, etapas completamente diferentes uma da outra.

- Se estivermos te sufocando, fale e nós vamos embora. Você parece mal, e sempre que está assim prefere ficar sozinho, não é?
Concordei sorrindo. Me conhecia melhor do que eu conhecia a mim mesmo. Sentei na cama e bati no espaço que deixei pra ele. Mesmo sentados ele mantinha o rosto para cima para poder me olhar.

- Quer um abraço? Ou fazer catarse será melhor?

Ri secamente, passei uma mão pelo rosto e levantei a franja, tentando diminuir a tensão e essa sensação ruim no estômago. Terminei optando pelo abraço, que ajudava bastante apesar de Kyungsoo ser tão pequeno. Ele apalpava suavemente minhas costas, ao ritmo de uma canção que cantarolava. Uma canção que ele cantarolava sempre que ia visitá-lo em seu trabalho.


Baby don´t cry, tonight

Depois que a escuridão passar

Baby don´t cry, tonight

Será como se nada tivesse acontecido



Me agarrei mais a seu corpo. Eu realmente tinha que ter me apaixonado por Kyungsoo. As coisas teriam sido muito mais simples dessa forma, tudo acabaria rápido e de uma maneira feliz. Mas parece que a gente não tem esse poder de escolha, parece que alguém (o destino, Deus, o que seja) planta uma pessoa no nosso coração e a gente tem que se virar, mesmo sem conhecê-la, vendo-a de longe e tendo que aguentar toda essa merda sentimental, que pode se transformar em algo correspondido, ou pode acabar com a sua vida. Eu pensei que estava me aproximando da primeira opção, mas agora parecia ter um pé de cada lado... O pior de tudo era que agora eu não sabia lidar com a situação.

Soo parecia me acariciar com sua voz a cada nota que cantava, se eu dizia que era bom em consolar, bem, não chegava nem aos pés de Kyungsoo nisso. Ele... Não sei, era simplesmente sua atitude de tentar animar as pessoas, sua disposição em ajudar no que fosse e deixar de lado seus próprios problemas e concentrar-se nos dos outros, porque ele realmente queria nos ver felizes.

Apertei os lábios quando deixou de cantar, minha cabeça ainda estava entre seu pescoço e o ombro.

- Soo?

- Uhm. – cantarolou, sem se mover.

- Te amo.

Não pensava em abandonar Tao, aquelas duas palavras saíram mais como um agradecimento do que uma declaração de amor. Por sorte ele entendeu e riu.

- Eu também, eu também.

Me afastou suavemente.

- Se apresse, precisamos encontrar o Tao.







Ir ali com Kyungsoo era arriscado demais, me sentia mal por ter que mandá-lo pra casa, mas sussurrei discretamente no ouvido de Kai que o mantivesse ocupado. Ele não apresentou nenhuma objeção, inclusive, lambeu os lábios em total acordo. Seguimos o cachorrinho de estimação de Chanyeol (irônico, não?), e ele nos guiou por ruas diferentes, pois pedi que não passássemos por nenhuma rua que tivesse tendas de ramen. Ele nem sequer perguntou o motivo.

“Sabia que alguém estava nos espiando, fiz sinais para que Tao entendesse e fomos embora”, respondeu corado sem me dirigir o olhar, enquanto Chanyeol esfregava seu braço suavemente, tentando acalmá-lo. “Estava sem dinheiro esse dia” agregou. Eu me limitei a concordar. Trabalho como espião: totalmente descartado.

- Desculpe por não ter te ajudado. – sussurrou cabisbaixo. – Mas Tao me apressou e disse para não dar importância.

- O que é perfeitamente compreensível. – lhe disse. – Se alguém estranho estivesse te seguindo, você pararia para ajudá-lo?

Apertou os lábios, pensando.

- Acho que sim... Afinal, ele poderia acabar me ajudando em troca.

Que inocente, pensei surpreendido.

Sinto por ele ter Chanyeol como alma gêmea.

Olhei para o mais alto e sorridente, e arqueei uma sobrancelha. Sua expressão praticamente dizia “Tenho um namorado pequenino, terno e inocente, que eu fodo encantado” Tentei imaginá-los juntos. Como o garoto fazia pra suportar o peso de Chanyeol e toda sua magnitude corporal? Com certeza lhe parecia enorme, magricela...

- Precisamos dobrar aqui e chagaremos. – disse Baekhyun (assim se chamava) e parou, apontando o lugar da última vez.

Havia um cachorro latindo e um gato completamente eriçado na entrada, o pedaço de lixo podre entre eles devia ser o motivo da briga, as sacolas de lixo rodavam pelas ruas, espalhando seu conteúdo, e o entardecer aqui já podia ser interpretado como noite, pois as luzes dos faróis falhavam e piscavam, causando calafrios a cada passo que dávamos, com medo de que algo saltasse do escuro para nos comer vivos.

Me distrai com o constante tremor de Baekhyun, não devia ser agradável pra ele voltar, muito menos se o sequestraram e o mantiveram em cativeiro ali. Chanyeol me pediu um momento a sós e eu neguei.

- Voltem, eu encontrarei o caminho na volta sozinho.

- Mas...

Me aproximei do ouvido de Chanyeol, sem afastar o olhar de Baekhyun.

- Ele está assustado, não deveríamos tê-lo trazido aqui. Vai com ele... Tao e eu precisamos falar a sós, é algo apenas da nossa conta.

Ele demorou um pouco, mas pareceu entender. Batendo suavemente em minhas costas disse:

- Boa sorte, se não voltar em três horas vamos vir te buscar.

Me distanciei deles dobrando a esquina, ao observar o barraco que queria entrar semanas antes, me subiu um calafrio na nuca. Estava me borrando de medo, na verdade, não queria entrar. De um lado da porta, um homem esfarrapado sobre um papelão dormia, os típicos disparos ainda eram ouvidos ao longe, estremecendo os animais, fazendo-os ladrar.

E eu precisava entrar ali. Super. Por sorte não precisei fazê-lo, não por um momento.

- O que está fazendo aqui?




Net Obsession está quase acabando, só faltam os dois caps finais, e os dois extras, que são curtinhos, então eu decidi postar logo tudo na semana que vem. Então é isso aí, semana que vem NO acaba ;--;
Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
  • Post a new comment

    Error

    Anonymous comments are disabled in this journal

    default userpic

    Your IP address will be recorded 

  • 0 comments