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UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Capítulo 12

Capítulo 12
(Número de palavras: 2.535)


- Aish, tá tudo bem. – disse, batendo no meu traseiro de brincadeira – Ya! Saia daqui!

Me recusei. Havia passado pelo pior momento de minha vida.

- Yah, situações como essa acontecem toda hora, no set havia mais de um assim. – acariciou a parte de meus cabelos que ainda era visível. – Além disso, deve ter sido a tontura. É como dizem, a primeira vez é pela sorte, não é grande coisa.

Merda, além de tudo, ele ainda sabia que ia ser minha primeira vez em vinte e três anos. Droga, por que eu contei? Eu, sempre tão suscetível a ataques de sinceridade...

- Ei. – o senti se aconchegando ao meu lado, abraçando o lençol que me cobria até a testa. – Quando você se recuperar vamos tentar de novo, ok?

Eu estava envergonhado demais para falar, até para existir. Logo quando finalmente o tinha aí disponível, entre suor e ofegos, chega na hora e... Duramos menos de quinze minutos. O calor e o esforço físico foram demais pra mim, terminei ficando tonto e como estava sentado, caí de costas na cama. Ele tomou um susto tão grande que foi impossível continuarmos. Acabou que Tao me trouxe um copo d’água e um pacote de açúcar com uma colher. Se duvidasse eu deveria ter açúcar saindo até pelo umbigo do tanto que ele me obrigou a comer.

Para a pressão baixa acredito, ele dizia.

Tive que aceitar. Acabei descobrindo um lado muito astuto dele.

- Escuta... É... Você. – ainda não sabia meu nome, isso acabou destruindo completamente minha autoestima. – Nós não precisamos fazer isso hoje, você vive sozinho e eu ainda não consegui um lugar pra ficar.

Ah, ele tinha razão... De qualquer forma, meu corpo não podia ter falhado alguns minutos atrás. Deus decidira que havia me dado mais do que eu merecia ou estava me fazendo de palhaço e brincando com a minha vida.

- Está me escutando? – sussurrou, aproximando-se de meu rosto, já que eu estava de costas pra ele.

Assenti levemente. Não me atreveria a olhá-lo depois de semelhante mancada, semelhante humilhação. Todo aquele teatro de garoto clichê e sensível para depois ferrar tudo. A pessoa que atirara em mim ia pagar caro, muito, muito, muito caro.

Uns dedos frios e longos lutavam delicadamente com o cobertor que estava sendo segurado por minhas mãos. Terminei cedendo com medo de que ele se ofendesse e fosse embora, aí sim eu morreria. Ele me descobriu completamente, passou por cima de mim e acabou se deitando do outro lado, encolhido no pouco espaço que havia.

- Pode chegar um pouco pra lá? Estou quase caindo.

Seu rosto estava fervendo, vermelho como um tomate. Levantei um braço e ele utilizou o outro como almofada. Quando o aproximei de mim pelas costas, senti suas pernas entrelaçando-se com as minhas, seu cabelo acariciando meu pescoço e o nariz roçando contra meu peito. A sensação foi mais reconfortante do que esperava, então me agarrei a ela, fechando os olhos e sentindo seu perfume.

- Qual seu nome? – perguntou em um sussurro.

- Wu Yifan, Kevin Wu internacionalmente.

- Uhm, entendi. Quantos anos tem?

- Vinte e três, e você?

- Dezenove... Gege – respondeu.

O número me atravessou como uma lança. Tão jovem? Desde quando trabalhava no site? Se podia chamar isso de trabalhar.
- Posso ser curioso? – confessei.

- É claro.

- Por que “Wushu ZT”?

- Pratiquei Wushu quando era pequeno. Quase todos em minha cidade me reconheciam por isso. ZT... Bom, é por causa do meu nome. Zi Tao, Huang Zi Tao.

- Entendi, eu sempre quis saber.

- De que parte da China você é?

- Guangzhou, e você?

- Qingdao.

- Ah.

- Uhm.

O barulho do relógio foi o único que se escutou depois disso. Me sentia triste, não soava como uma conversa normal, parecia que estava me estudando. Quero dizer, ele ia dormir comigo sem nem mesmo saber meu nome. Eu queria algo mais que isso! Sei que a primeira vista eu pareço um bruto e dou medo, posso parecer até mesmo um pervertido, mas também sou sensível sabe... Queria continuar a conversa, mas a pergunta que tinha em mente era muito incômoda, muito imoral, muito indiscreta. Ele me mataria se eu a fizesse. Por sorte ele se adiantou.

- Gege... – me derreti ao escutá-lo me chamando assim. Ele levantou a cabeça para me olhar. – O que você gosta em mim? – perguntou.

Isso me pegou de surpresa. Teria sido melhor se eu tivesse falado antes.

- Quero dizer. – apressou-se em se corrigir – O que... O que aconteceu para que você se interessasse por mim?

Era uma armadilha. Como vocês responderiam uma pergunta dessas? Pestanejei infinitas vezes, buscando possíveis respostas, desculpas, perguntas para retrucar. Mas quando me encontrei com seus olhos negros tristes perdi totalmente minhas forças, me dei conta de que estava tentando mentir pra ele, estava tentando inventar toda uma história sem pé nem cabeça com o intuito de não o ofender, coisa que ia acabar acontecendo de uma forma ou de outra.

Logo tudo veio a minha mente, como se fosse um flash, e deixei os olhos em branco.

- A culpa foi de um seis de novembro chuvoso. – respondi, suspirando.

Ele pestanejou sem entender.

- Foi meu aniversário. – expliquei. – Estava chovendo e ninguém veio, então por casualidade encontrei o seu anúncio. – ele assentiu, talvez estivesse disperso em seu próprio mundo, mas me encarreguei de trazê-lo de volta a Terra. – Você foi o melhor presente de aniversário, é sério.

- Aish... – me golpeou suavemente. - Argh! – Queixou-se, escondendo o rosto.

Adoro ser clichê, consigo o que quero e muito mais. Além disso, adoro vê-lo corando cada vez que digo alguma coisa asquerosamente melosa ou romântica. Me dá nervoso quando penso no que disse, mas sei que ele gosta.

- E você? – Inquiri. – O que estava fazendo no hospital? O que fiz para que cuidasse de mim? – o beijei na testa.

Ele respirou fundo, enquanto recuperava a cor de seu rosto. Enquanto relatava, suas mãos viajavam por meus braços, subiam até minha orelha e desciam por meu peito, sem se dar conta traçava caminhos de fogo a cada toque, a cada poro de minha pele.

- Quando te meteram na ambulância. – Ótimo, outro que não ia me contar quem havia disparado em mim. – O garoto alto. – Yeol? - me disse enquanto te atendiam improvisadamente, que eu precisava ir ver como você estava, que você tinha entrado ali por mim. E quando fui e me encontrei com Kai e os outros, todos me disseram o mesmo. Que era o mínimo que poderia fazer, esperar que você despertasse.

Ou seja, você não sente nada, perfeito, obrigado por deixar claro.

Meu peito começou a doer. “O mínimo que poderia fazer”? Ele esperou por obrigação? Então o que estava fazendo na minha cama? Ele podia ir, não precisava de sua compaixão, talvez por isso tenha chorado quando passou pelo que passou no quarto, estava calando sua consciência, se sentindo culpado.

Você não é nada, não representa nada.

- Entretanto...

Entretanto nada, me solta.

Quando comecei a me desfazer de seu abraço, suas palavras me congelaram.

- Você me pareceu fofo na loja. Foi o primeiro que não se atirou em mim ou tentou me obrigar a fazer coisas que não queria. Você só ficou lá, me olhando, a uma distância prudente. – desenhou círculos outra vez, na altura de meu coração, parecia gostar de fazer isso. – Fora isso, não sei... Você é alto, bem apessoado, beija bem... E me pareceu fofo com o incidente das calças, todo corado e trêmulo. – riu.

“Mas são todas pretas”. A sim, isso. Contive a vontade de rir.

- Embora eu ache que o mais importante foi... – havia mais? – Quando você me disse aquilo no caixa. – acariciou a boca com a mão livre.

“Se o que você faz, faz contra sua vontade, eliminarei minha conta, eu juro. Não deve ser agradável estar na sua posição”.

- Então você gostou disso?

- Muito. – sorriu sem deixar de acariciar os próprios lábios. – Senti que alguém estava tentando se colocar no meu lugar, mas tive que rir pra não soar frágil, para que você não soubesse que, na verdade, estava me sentindo verdadeiramente agradecido.

- Por que você riu? – me acomodei, apoiando meu peso no cotovelo, sua almofada. Vê-lo desde cima era novo e me fascinava. – Você foi embora, lembro que me deu as costas e continuou rindo.

- Não queria colapsar e te pedir ajuda. Você não ia ter ideia no que estaria se metendo. – respondeu deprimido, pousou a mão em meu peito. Parecia ter obsessão com as batidas do meu coração. – Sabe, no hospital eu tive medo...

- Medo? De que?

Ele encarou fixamente suas mãos, os lábios apenas se separaram e as palavras saíram como um sussurro. Seus olhos a ponto de chorar, deviam estar borrando sua vista.

- De que você apagasse.

Busquei sua mão com a minha e entrelaçamos os dedos. Tinha medo de que eu morresse? Huang Zi Tao? (sim, eu lembrava, tendo escutado apenas uma vez). Estava se mostrando vulnerável comigo, sensível, frágil. Isso significava que confiava o suficiente em mim para que eu pudesse desenvolver o papel que sempre fiz de melhor: consolá-lo, oferecer meu ombro, meu ouvido. Ah, e também, ele gostava de mim, ressaltemos isso, por favor. Gostava de mim, pois tinha medo de me ver morrer. Deveria estar sorrindo como um estúpido, porque ele se sentou e virou-se me soltando, para logo tapar o rosto.

- Yah, tá achando graça no que? Estou feliz!

Ele continuou rindo, suspirei sem tirar o sorriso dos lábios e me atirei sobre ele, escutando risadas genuinamente infantis brotarem de seus lábios, enquanto seu rosto relaxava e seus olhos transformavam-se em meias-luas, brilhando alegremente, enchendo-o de vida, fazendo-o feliz.

Quero te ver assim todos os dias, me decidi.

Farei você se sentir assim todos os dias, até que meu coração se apague.








Comprovamos na manhã seguinte que eu não tinha nenhum buraco na cabeça. O tiro havia sido na testa e eu tinha alguns pontos, mas nada que tivesse me tirado cabelo. Suspirei, bagunçando minha franja. Tao ajudou na zona da nuca.

- Geralmente o loiro não fica tão bem. – comentou desinteressado, mas eu sabia a que ele estava se referindo.

Ele me acha bonito.

Fuck Yeah.


Ampliei meu sorriso enquanto dava de ombros.

- Quis fazer um par de mechas para conseguir alguma espécie de contraste, mas não foi grande coisa. – Não, imagina. Passar cinco horas no salão de beleza, lendo revistas de fofoca como uma velha não é grande coisa.

- Uma vez eu pintei o meu de vermelho. – disse. – Mas ficou um desastre, parecia peruca, acabei voltando para o preto e depois... – mordeu os lábios.

- Depois?

- Não me deixaram tingir mais.

- Quem?

- “Eles”.

- Ah.

Ponto sensível, momento desconfortável. Precisava mudar o curso da conversa, enquanto lavávamos o rosto, uma ideia um tanto travessa cruzou minha mente.

- Ah, quero tomar banho. Estive a semana toda com sangue seco e devo estar cheirando como mil diabos.

- Na verdade não. – respondeu corado. – Você cheira muito bem, eu gosto.

Tranquilo, ele não pode escutar seu coração desesperado.

Tranquilo.


Controle a cor de suas bochechas. Controle!

Trocamos olhares por alguns segundos. Como ele conseguia ser tão terno e delicado, considerando as proporções de seu corpo e seu antigo trabalho? Repito, se a isso podemos chamar de trabalho...

- Bem. – tossiu. – Vou deixar você tomar banho sozinho. – e encarou a porta.

Sorri as suas costas: Showtime.

- Oh!

Me balancei sobre a pia, fingindo bater contra a torneira de água quente. Abraçando o mármore, sacudi minhas pernas enquanto tentava me levantar.

- Você tá bem? – gritou se aproximando.

Tapei o nariz com uma mão e assenti.

- Acho que sim, não foi nada, só uma queda de pressão. – tossi. – Aigoo, não sinto minhas pernas.

- Vamos pra cama, eu te deito.

- Não, não. – suspirei “frustrado”. – Quero tomar banho... Mas desse jeito... Aigoo...

Deixei que ele processasse a ideia e tapei a boca para não rir, senti suas mãos em meus quadris me levando até a banheira.
- E-Então... Eu t-te-te ajudo.

- Ah, não, não, por favor, você pode continuar dormindo ou ir se vestir, não quero ser uma moléstia. – disse enquanto tateava a torneira bruscamente.

- Não, é sério. Você se banha e eu te seguro, não entraremos sentados. – protestou fechando a porta de vidro do box e abrindo a torneira.

Meus pelos se eriçaram, a água saiu gelada, tremi dos pés a cabeça sentindo cada fibra de meu corpo sofrendo descargas elétricas com cada gota que golpeava meus poros. A água caiu diretamente em minhas costas e consequentemente arqueei meu corpo chocando-me com ele, que ficou encurralado entre a parede e eu.

- Perdão. – titubeou. – Pensei que se saísse quente você iria ficar ainda mais tonto.

Quando ele esticou um braço pela lateral de meu corpo para abrir a água quente, fechei seu pulso em minha mão. Já não sentia frio nem calor. Só sua pele roçando contra a minha. Sei que disse que precisava descansar, mas o instinto não me permitia. Além disso, eu o tinha ali em pessoa, de frente pra mim, me olhando com olhos travessos. O sorriso descarado da loja reapareceu. Bufei.

Filho da...

Ele sabe. Estava esperando.


Ele ficou na ponta dos pés e acariciou meus lábios com um sussurro.

- Me deixe abrir a água quente. – colou seu corpo no meu, sua boxer encharcada contra a minha me deixou “vê-lo”. Estávamos praticamente prontos.

- Você quer... – ri enquanto o puxava pela nuca.

... E a campainha filha da puta soou.

A maldita, odiosa, irritante e ensurdecedora campainha soou, alertando-nos.

- Atende, eu estou molhado. – se esquivou.

- E eu não?! – exclamei.

- Ei, a casa é sua, não minha.

Enrolei uma toalha na minha cintura, e bati no vidro do boxer para assustá-lo, eu podia ser astuto, altivo, terno, engraçado e brincalhão. Enfim, podia ser tudo o que ele sonhava e muito mais. Secando os pés no tapete do banheiro, saí até a sala (o banheiro se localizava no andar de baixo) e dobrei em direção à porta. O ruído do alarme de um carro ativando-se chamou minha atenção. A visita pensava em ficar, mas nem Soo nem Yeol tinham carro.

Polícia? Investigadores? Viriam por Tao ou por mim?

Quando abri a porta comprovei que era pior, muito, muito pior que a polícia, investigadores, pessoas relacionadas à página na internet, um fanático sasaeng de Tao. Me dei conta de que fazia um mês que não o via, e os anos pareciam ter feito ainda mais efeito nele nessas semanas. Vestia a mesma roupa de sempre e seu semblante era calmo, mas claro, a forma de suas sobrancelhas indicava o contrário. Já possuía bolsas embaixo dos olhos e pés de galinha, me perguntei quando foi a última vez que o tive assim tão perto.

- Tem um minuto?

Escutei passos ligeiros próximos. Tao devia ter terminado. Engoli a seco.

- Na verdade não.

Franziu o cenho, mesmo que de primeira as pessoas não se deem conta.

Mas eu sim, porque puxei as sobrancelhas dele. Ele cruzou os braços disposto a não ir embora.

Bufei.

- O que você quer pai?



Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
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