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UNSTABLE-ENJOYMENT.COM – NET OBSESSION (Trad. em português) Capítulo 11

Capítulo 11
(Número de palavras: 2.763)


É claro que iam me chamar para depor, com certeza o formulário que preenchi no hospital fora entregue a polícia, que esperava pacientemente que “o loco do tiro na cabeça” se entregasse sozinho. Pelo menos tiveram a cortesia de me levar primeiro na traumatologia e na fonoaudióloga.

Incrível os resultados que consegui em três horas... O “r” antes era um obstáculo do tamanho de uma casa, mas agora podia pronunciá-lo. Até recuperei a voz levemente. Soava como alguém resfriado, mas já era alguma coisa. Agora estava nessa maldita sala que parecia aquelas que vimos em filmes. Paredes cinzas, uma mesa negra no meio, uma janela negra por onde me vigiavam e o detetive, oficial, ou quem quer que fosse esse que me perguntava tudo, quase gritando quando eu lhe dizia que não lembrava de muita coisa.

“Algum rosto, algum nome, o que for” bravejava. Cuspia em mim também, um nojo. “O que quer que eu diga?” falei, “Com sorte consigo falar”. Era verdade, eu estava suspirando a duas horas e meia, somada as quatro horas anteriores de sessão, minha garganta estava uma droga.

Quando (Graças a Deus) a conversa terminou, ele disse que eu poderia ir embora, não sem que ele saísse primeiro. E quando apareci no corredor da morte, onde os gritos dos outros oficiais eram abafados, GaEul se levantou surpreendida.

- E?

Minha garganta ardia tanto que apenas dei de ombros e sacudi a mão. Nem muito bom, nem muito ruim, não fui crucial para a investigação do Senhor Lee (responsável pela criação da página), mas também não fui um inútil sem informações para dar (lamentavelmente lhes contei quanto os afiliados pagavam por semana, mês ou ano. Contei o desenho da página e mais ou menos o que se fazia ali... O cara não deve ter demorado a perceber que eu tinha uma conta). GaEul suspirou e olhou a sua volta antes de falar baixinho.

- Estavam procurando Jongin também. – me disse com os olhos vidrados. – Nós estávamos contigo no hospital quando foram na casa de Kyungsoo. – mordeu os lábios. – Ele vai admitir o que fazia e... – ela tapou a boca, gemendo. – Provavelmente eu vou ser punida por não ter impedido ele, sendo maior de idade.

Merda, isso nem havia passado por minha cabeça! Ela parecia tão sozinha, tão triste... A ficha havia caído. Ia receber o que de certa forma, merecia. A abracei e a apertei contra meu peito, sentindo-a fria, inconsolável e derrotada.

- Eu não queria que ele fizesse essas coisas... Mas nunca o encontrava em casa ou no colégio e não aparecia até que meu turno começasse... Nunca consegui convencê-lo a se concentrar no colégio e fiz com que ele terminasse, terminasse... Yifan, não quero ir pra lá! – gritou tremendo.

Mas o que eu poderia fazer? Ela teria que ir, lamentavelmente. Tenho certeza que ninguém queria que GaEul parasse atrás das grades, mas o fato de que ela não estava lá para Jongin quando ele precisava, me irritava... Mas bem, minha cabeça estava uma confusão de pensamentos e sentimentos, a única coisa que pude fazer foi acariciar a cabeça dela e beijar-lhe a testa, em sinal de que estava ali para apoiá-la.

- Aigoo, o que eu vou fazer?

Nesse momento uma porta a nossa esquerda se abriu, Kai saiu com os olhos vermelhos e soluçando, sem falar da áurea de tristeza que emanava; cabisbaixo e com os ombros tremendo constantemente. Kyungsoo saiu por uma porta mais distante de nós, despenteado e desarrumado. Quando se encontrou com Jongin o abraçou. O mais baixo deixou toda sua angústia sair em gritos de dor e súplicas. “Faça com que acabe, me faça esquecer”, dizia. Infelizmente não entendi ao que ele se referia, mas eu tinha uma pequena noção. GaEul me soltou e tapando o rosto com as mãos, foi até seu irmão e o abraçou, rogando seu perdão e repetindo o quanto o amava. Eu me sentia vazio. Nenhum deles merecia isso, não faziam aquelas coisas porque gostavam. Precisavam de uma fonte de renda urgentemente, segundo o que GaEul e Kyungsoo me contavam. Kai... Kai errara, e agora sua irmã teria que pagar o preço. Entretanto, Jongin ia ter o pior dos castigos, as lembranças, as lembranças e as consequências psicológicas de tudo aquilo.

Kyungsoo vai ajudá-lo, tentei pensar positivamente.

Kyungsoo... O ama, vai fazer tudo o que esteja a seu alcance.


Este não se soltou em nenhum momento de Jongin, mesmo quando vimos Chanyeol e Baekhyun saindo por outra porta, uma das primeiras, e mais longe de nós. Me virei para ver quem era. Quando o vi e nossos olhares se encontraram, o mundo pareceu parar. Pude ver a vergonha, o pânico e a vontade de fugir. Quando se virou em direção à saída da comissária, caminhei como pude até alcançá-lo, o peguei pelo pulso e o virei na minha direção. Ele gemeu pela força que empreguei e se safou. Também possuía os olhos vermelhos e o rosto pálido.

- Yifan... – sussurrou resignado, não poderia escapar pra sempre. – Yifan eu sinto muito, é sério, tudo isso poderia ter sido evitado se...

Levantei uma mão, tentando lhe dizer que estava tudo bem, que o importante era ele. O peguei pelos ombros e abaixei um pouco a cabeça, perguntando indiretamente. Ele pareceu entender e suspirou.

- Deu tudo errado. – disse, o brilho característico de seus olhos havia desaparecido. – Você, meu braço, tudo poderia ter sido evitado se eu tivesse agido mais rápido ou talvez se não tivesse feito nada.

Ele? Do que estava falando? Eu não entendia nada... Até que vi seu braço dobrado, engessado e sendo apoiado por um pano. O ar pareceu faltar naquele momento. O que diabos havia acontecido? Encarei seus olhos, pedindo uma explicação, engoli a seco e me obriguei a falar.

- Quem atirou?

Ele riu nervoso sem separar os lábios e negou. Ou não sabia ou não pensava em me dizer.

- Você deve ter visto alguma coisa. – insisti, sacudindo seus ombros suavemente. – Yeol, ninguém quer me dizer nada. Por quê? – ele manteve seu rosto imutável. – Foi... Tao?

Pestanejou, deixando que os segundos pesassem sobre meus ombros.

- Sinto muito. – disse e logo caminhou em direção ao grupo, com medo.

Sinto muito...

Havia sido ele?

Havia sido ele?

O que “sinto muito, não posso contar” queria dizer? Apertei os lábios, furioso. Com essas coisas não se brinca. Eu quase morri. De repente me lembrei do eletrocardiograma, dos apitos, uma figura dormindo sobre mim, o momento que compartilhei com Tao. Tao, Tao...

- Onde Tao está? – Grunhi, chamando a atenção dos garotos, que já haviam se acalmado e viraram-se pra mim.
- Não vimos ele. De fato...

- Ele já depôs. – disse Kai, secando o rosto com as mãos. – O vi saindo, mas não sei pra onde.

- Ele não tem mais um lugar. – Chanyeol sussurrou. – Deve estar zanzando por aí.

Kyungsoo e ele trocaram olhares, claramente se falaram, claramente sabiam de algo que eu não sabia e, pelo visto, eu não merecia ou não precisava saber no momento, provavelmente, o paradeiro desse garoto BH, o garoto do Chanyeol. Que sendo sincero eu já não ia com a cara, porque por culpa dele...

- Já terminamos tudo? – perguntei rouco. – Quero ir pra casa. - confessei.

- Eu provavelmente tenho que ficar. – sussurrou GaEul envergonhada. – Vão vocês.

- Noona. – Jongin chorou abraçando-a pela última vez. – Noona, mianhe, saranghae...

- Nado saranghae... – respondeu, beijando sua testa sonoramente. – Escute tudo o que Kyungsoo disser e não o perturbe. – sorriu. – Você deve tudo a ele, entendeu? E nunca me esqueça. – concluiu.

A saída da comissária foi um martírio. O Kai irritado e respondão parecia nunca ter existido. Agora só restava um estudante do ensino médio que chorava e apertava os dentes, escondido sob o abraço de Kyungsoo, que apertava os lábios como se os gemidos e gritos do outro destroçassem sua alma. E com certeza o faziam.

Chanyeol dobrou em direção a sua casa. Não sentia vontade de estar com ninguém, nem dar explicações; dava para notar por sua cara. O deixamos ir. Sua aura era escura e sombria. Estava se arrependendo de entrar no edifício para salvar o garoto? Aigoo, agora que ele vinha se arrepender... AGORA...

- Nós vamos pra casa. - disse Kyungsoo. – Tem certeza que você consegue ir sozinho? Não precisa de ajuda?

Olhei para Kai e neguei com a cabeça. Esse garoto estava muito pior que eu.

- Cuide dele, eu posso ir sozinho. Qualquer coisa eu paro pra descansar na calçada. – sorri apalpando seu ombro e logo abaixei, me aproximando de Kai – Ei, você... – ele me encarou ainda chorando. – Soo vai fazer o possível para te ajudar. Dessa forma, o agradeça e coopere também, sim? Sei que não deve ser fácil estar na sua pele... Mas aproveite que Soo tem paciência e gosta de você. – sorri. Ambos coraram. – Nos vemos.

Fingi estabilidade até vê-los desaparecer na esquina. Automaticamente me apoiei no tronco de uma árvore. Como eu estava tão fraco? Era melhor ter continuado no hospital. Talvez assim, agora poderia dar três passos sem me sentir tonto. Cada vez que apoiava a planta do pé, um calafrio me subia do calcanhar até a nuca, chegando em cheio na minha cabeça, como se estivesse de ressaca.

Encostado na madeira áspera e quebrada, eu tentei me tranquilizar. Inala, um, dois, três, exala, inala, um, dois, três... Bem, bem. Pisei lentamente, me impulsionando para frente. Perfeito, não fiquei tonto. Mais um passo, mais um passo, um, dois, um dois...

Caminhando como um pedestre normal, avistei uma figura negra sentada na ponta da calçada, na altura de minha casa. Deixei um riso bobo escapar, minha imaginação voava muito. Me aproximando dele, acabei por confirmar minhas suspeitas.

- Sinto fazer você esperar. – sussurrei com a voz rouca. – Estava... Ocupado. Todos nós estávamos.

Ele levantou a cabeça e sorriu tristemente. Não precisava perguntar, ele provavelmente já sabia onde euestava.

- Não tenho pra onde ir. – disse corado. – Estava pensando se... Talvez, só por hoje...

- Tudo bem, eu sei. Levante-se. – eu disse, me dirigindo até a porta de casa.

Senti seus passos atrás de mim e quando agachei para pegar a chave debaixo do tapete cambaleei. Rapidamente senti duas mãos segurando minha cintura. Sua respiração golpeava minha nuca. Ele acabou se enrolando ao tentar me segurar, suas mãos subiram por meu peito e me levantaram. Me senti um vovô.

- Deixa. Eu faço isso. – ele pegou a chave, logo girou dentro da fechadura, abriu a porta e se pôs ao meu lado. – Os donos primeiro. – sussurrou, insinuando com sua mão que era para que eu entrasse.

- Obrigado.

Quando fechou a porta notei que meu sonho estava praticamente se fazendo realidade. Tao, eu, sozinhos, em minha casa, dormiríamos no mesmo quarto, poderia finalmente explorar seu corpo, marcar cada um de seus poros com o cheiro de minha pele, com minha boca, minha língua, meus dentes. Me ericei completamente e logo recordei o estado em que estava.

Ia conseguir fazer pouco e nada, talvez nem meu “amiguinho” tivesse forças para despertar, depois de tanto esforço físico e mental utilizados na comissária e no caminho para casa.

- Você quer... Está...

Me virei e o vi esfregando as mãos, parecendo buscar algo.

-... Com fome? Eu posso fazer algo. – propôs.

Meu estômago gritou um “SIMMMMMM!!” com um grunhido ridiculamente alto, o que pegou eu e a Tao de surpresa. Este tapou a boca para não rir. Claro, há uma semana vivia de soro. Eu queria algo maciço, consistente, quente, pesado... Queria me empanturrar. Sem mais delongas, Tao pediu permissão quando o mostrei a cozinha. Encontrou pouca coisa, mas soube se virar. Em meia hora tive uma pequena salada como entrada, enquanto ele preparava a sopa. O contemplei enquanto ele parecia totalmente imerso em seu próprio mundo.

Ele sabe quais ingredientes precisa e adivinha onde estão os utensílios.

Parece uma dona de casa.

Falta um avental...

Que tape só a parte da frente...

E pra usar sem roupas por baixo...


Deixei esses pensamentos de lado quando ele se virou com a comida pronta, apoiou a panela e começou a servir com a concha. Eu tinha uma concha? Ah, sim eu tinha... Senti o calor brotar do prato e chocar contra meu rosto, o cheiro do caldo pareceu abraçar meu nariz e não fiz outra coisa senão suspirar maravilhado. O problema foi quando sorvi o líquido da colher, franzi até o... de tão ruim que estava. Ele me encarou com expectativa e fiz meu melhor esforço para engolir e não morrer intoxicado. Logo sorri e levantei um dedo em sinal positivo. Mas que porra, até pouco tempo o cheiro era fantástico.

- Não sou muito bom. – sim, eu percebi. – Quando vivia com... Um amigo, nós não tínhamos muito e saía o que dava. – se explicou.

Me senti tão mal que nos seguintes quarenta minutos botei três pratos de sopa pra dentro - ou o que seja esse líquido marrom fervendo - onde o macarrão boiava. Depois de uma semana sem comer (e depois do segundo prato) não estava tão ruim assim. Além disso, ele se esforçara tanto para que fosse “uhmmm... Delicioso”.

Olhei o relógio, já eram 12:00 PM. Haviam me retido por muito tempo na comissária e o jantar tardara em terminar. O encarei e arqueei as sobrancelhas. Tossindo um pouco, comprovei que poderia falar em um tom mais ou menos normal.

- Não faço ideia de como está o quarto. GaEul e Jongin se mudaram e...

- Vi um sofá na entrada, posso dormir ali. – disse, apontando para a sala.

Quase lhe grito: Tire tudo e vá pro quarto!

Mas tentei me por em seu lugar. Ele devia estar esgotado, físico, mental e emocionalmente. Digo, confessar tudo a polícia, relembrar tudo, não ter casa, buscar ajuda... Merecia descansar.

- Nada disso, você vai pra minha cama. Eu durmo no sofá.

- Mas...

- Sem mas. A casa é minha. – sentenciei. – Assim que, por favor, lavar os pratos, irei buscar roupa pra dormir.

Escutei o barulho dos pratos e levei todo tempo do mundo para subir as escadas. Quando cheguei ao guarda-roupa, peguei duas camisetas velhas e uma calça de ginástica, uma camiseta pra mim, outra para ele. A calça era pra ele, pois eu não conseguia dormir vestindo uma, e tampouco com camiseta, mas comecei a usar uma peça de ambas depois que GaEul chegou. Entendam, era minha casa, queria me sentir confortável.

Aigoo, ele vai querer dormir no sofá.

Apertei o passo como pude e o que vi me deixou sem fôlego.

Repito.

Sem.

Fôlego.

Aí estava ele - mais tranquilo impossível - caminhando pela sala e admirando o sofá... Sem camisa, nem calças, nem meias, nem colares, nem nada, pois tudo estava perfeitamente dobrado sobre o sofá.

- P... P..... P...!? Q... Q... Q!?

- Ah, queria te dizer que assim estou bem. – me falou. – Estou acostumado a dormir sem... Bem, você sabe. Você via. – agregou as duas palavras em um sussurro.

Num impulso o peguei pelo pulso.

- Não me orgulho disso. – confessei me aproximando dele e o encarando nos olhos. – Então, não volte a dizer essas coisas, por favor.

- Não se orgulha? – perguntou, levantando uma sobrancelha.

- Não. Agora não.

Desde o Céu, Deus estava dealguma forma sofrendo um ataque de misericórdia e piedade e estava me dando tudo que eu precisava e um pouco mais. Quem sabe entrar naquele edifício para resgatar ele e Yeol não tivesse sido tão má ideia... Viva o carma!

- Seu amigo me disse que você entrou pra me salvar. – sorriu timidamente, um pálido rosa se formou em suas bochechas. – Isso é... Verdade?

- Queria tirar você, Yeol e o pequenino de cabelo marrom... Mas originalmente ia por você. – sussurrei, encarando sua boca em sinal de antecipação.

- Ninguém nunca fez uma coisa dessas por mim. Nunca. – ele encarou minha boca em resposta. Quando seria o melhor momento para beijá-lo?

- Então... Me diga que outras coisas não fizeram por você. – sorri de canto. - Eu farei uma por uma.

Sim, sim, sim, já sei, muito brega, muito cafona. Mas, e se eu dissesse que com isso consegui que ele se atirasse em mim? Hehehe, agora posso escutar seus gritos abafados contra o travesseiro. Pervertidos, pervertidos everywhere... Como dizia, caí de costas no sofá com Tao por cima. Perdi a noção de tempo e espaço por alguns segundos, mas suas mãos acariciando meu rosto e cabelo, me trouxeram de volta a realidade. Sentia um de seus joelhos roçando entre minhas pernas, sua cabeça completamente inclinada enquanto sua boca buscava o melhor ângulo, seus cílios embaraçando-se com os meus.


Tags: exo, fanfic, net obsession, taoris, unstable-enjoyment.com
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